Meu percurso

Não cheguei a lado nenhum…a vida trouxe-me até aqui!

Uma vida ligada à descoberta e ao gosto pelo desafio levou-me, na altura com 12 ou 13 anos, ao mundo do Spectrum. Foram tempos de muito namoro. Todos os dias lá ia eu namorar. A nossa geração muito tinha de namorar até ter algo…não é como hoje que é tudo agora, no imediato, no já. O namoro com aquela montra repleta de consolas era a minha paixão. Essa paixão, não coadunava muito com os rendimentos da minha mãe. A minha mãe sempre foi empregada de limpeza. “Mulher a dias” como era costume chamar-se. Completava essa ocupação com a limpeza de prédios. Muitas escadas ela lavou, mas também muitas eu varri diante dela. Com muito sacrifico e sozinha lá ia concretizando os meus caprichos. Eis que tive a minha primeira ligação às ciências da computação. No início os jogos foram a principal atração.

Mas rapidamente digitei as minhas primeiras linhas de código em Basic. Com a utilização de alguns GOTO’s lá dei um salto para o meu primeiro PC. Um dinheirão “pralém” de muito! O namoro da montra e as namoradas que consegui levar para casa, foram tantas que o dono da loja se apercebeu da minha paixão, oferecendo-me ocupação para as férias da escola. E com uns 15 anos lá comecei a ”vergar” a espinha!

Terminado o 12º ano lá fiquei a trabalhar na mesma loja a tempo inteiro. Mas foi passado um ano que resolvi tomar outro rumo. Pensei que poderia fazer melhor: lancei-me como empresário e abri uma loja de informática. Tinha uns míseros 19 anos. Já tinha casa de família e um ano depois adquiri loja própria que mantenho até hoje. Os anos 90 tinham outra dinâmica. Lá me vi enfiado numa cave a reparar equipamento uma vida inteira.

Porque escolhi esta profissão?

Não escolhi ser formador nem docente. Foi a vida que me proporcionou esta maravilhosa experiência de passar conhecimento.

Após uma vida lidando com os problemas informáticos, aos 34 anos resolvi inscrever-me no acesso ao ensino superior pelo programa “maiores de 23”. Fui um pouco “picado” por um primo que, também com trinta e muitos, tinha terminado a sua formação no ensino superior. Isso, e a vontade de perceber o que de fato sabia.

Duas vagas deixam pouca esperança, mas a vontade foi preponderante no sucesso! Consegui uma das duas vagas e lá fui de “mochila às costas”. Foi um orgulho enorme pertencer aquela que, sem saber ainda, seria a minha casa por uns bons quase 10 anos: o Instituto Politécnico de Beja – Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTIG).

Trabalhando no meu comércio até uns minutos antes das 19:00h e entrando a essa mesma hora na universidade, assim foi a minha rotina durante três anos.

Tive vários aliados nesta guerra:

  • A experiência empírica dos quinze anos a lidar com a informática a nível profissional;
  • A maturidade que a idade nos proporciona;
  • O enorme orgulho e sentimento de pertença numa instituição de ensino superior;
  • Perseverança em atingir os objetivos traçados;
  • Capacidade de planeamento e alguns métodos de trabalho;
  • Entre outras;

Foram três anos que me abriram os horizontes. Tive os meus “tête-à-tête” com alguns docentes e colegas, mas aos poucos conquistei-os com os resultados. A minha pontualidade e respeito pelos prazos estipulados, fizeram-me tomar algumas posições de força. Aos poucos os a forma como os docentes me olhavam era diferente. Deixei de ser o aluno número 11405 e ganhei a honra de ser “o Geraldo”.

Os resultados foram saindo. À exceção da primeira cadeira de matemática, que terminei com exame de recurso, todas as outras foram terminadas em época normal e com boas notas. Findo os três anos, estávamos em 2015, fui considerado o melhor aluno do curso (pós-laboral e diurno).

Havia dito um pouco antes que a universidade foi a minha casa por cerca de 10 anos. É verdade, mas por outros motivos que não apenas a conclusão do ensino superior.

Terminado o curso de Engenharia Informática foi tempo de descansar pois o “tico e o teco” no último ano já estavam a pedir férias.

É nesta fase que surge a formação na minha vida. Surge um convite para dar formação num CET do IEFP que por acaso decorria na mesma universidade. E assim foi, algumas ufcd’s no inicio e ao fim de alguns meses já tinha colocado a loja em “standby” mantendo apenas clientes de gestão comercial cujo apoio técnico é quase todo ele dado à distância.

Passado um ano eis que surge um “convite” para me inscrever no Mestrado de Engenharia de Segurança Informática. Lá coloquie a mochila às costas mais dois aos e terminei a parte curricular do mestrado sem qualquer dificuldade. Tenho a dissertação para sair até ao momento.

Após o mestrado tive a grande honra de ser convidado para lecionar em dois cTesp’s:

  • Redes e Sistemas informáticos;
  • Eletrónica e Computadores;

No de redes dei configuração de sistemas CISCO e protocolos de comunicações. No de eletrónica dei programação em microcontroladores.

No segundo ano tive uma honra e desafio ainda maior: dar algumas unidades no curso de Engenharia Informática, o meu curso. Lecionei uma cadeira de Bases de Dados e outra de Microprocessadores. Foi um desafio muito grande, mas que em muito me enriqueceu como profissional e mais ainda como ser humano.

Não podia deixar de referir que fiz bons amigos entre os meus docentes, que depois viraram “colegas”, mas que nunca os tratei como tal. Sempre foram, e serão os “meus professores”! Muito lhes devo a eles. Não só pela confiança e por acreditarem nas minhas capacidades, mas também pela ajuda e partilha de conhecimento sempre que necessitei.

E assim cheguei e me mantenho nesta bonita e rica profissão: a formação!