Estado formação

A formação profissional tem também, na minha modesta opinião, de evoluir. Apenas me posso referir à única realidade que conheço: o IEFP.

Ponto de melhoria 1: Gestão

Estamos a falar de uma instituição estatal. Isso trará consigo algumas particularidades. Tenho a sensação que existe um estigma: não é possível mudar o sistema. Todos consegue ter percepção que está muita coisa mal e que teria solução fácil. Ainda assim, a falta de iniciativa para o fazer é abismal. Toda a gestão é centrada em modelos desatualizados de gestão. Além dos modelos penso que existe uma falta de profissionalismo geral na instituição. Não quero com isto dizer que todos são incompetentes, nada disso. Acontece que nem todos têm perfil e/ou competências para a função que desempenham. Fazendo uma comparação com o poder político: sou da opinião que antes de ser político, o mesmo deveria ter uma formação académica e profissional bastante completas. Deixar de fundamentar uma decisão em fatos puramente empíricos ou emocionais, passando a usar e corelacionar os fatos disponíveis de forma mais científica e fundamentada, conduzindo a uma melhor decisão. Em Portugal os cargos de gestão estão nas mãos de pessoas com formação em áreas que, só por si, não lhes dão ferramentas que lhes permitam desempenhar as suas funções. Depois é o que se vê. Este é um primeiro prisma do problema tomado de forma muito superficial claro.
Trocar os números pelas pessoas é essencial! Os números virão por consequência…

Ponto de melhoria 2: Equipamentos

Tenho a perceção que muitos de nós, onde também me incluo, tornamo-nos escravos de algumas ferramentas. O caso mais óbvio: projetor. Ouço muitas vezes que não deveremos tomar por crucial a sua presença em sala de aula. “Tens de ter outras formas. Adapta-te”. Já tentei passar sem ele e não foi fácil. Penso que cada área especifica da formação pode influenciar muito cada recurso e forma de o adaptar. Já tentei nas minhas ciências informáticas fazer esse esforço e passar por outro formato. Não consegui, admito-o! Não sei se pode passar por uma incompetência minha. Penso que não há muita forma de o fazer, pelo menos eu não encontrei. Grande parte da minha formação está centrada em aplicações, suas instalações e configurações. São muito práticas e das quais gosto de fazer pouca preparação. Gosto da adrenalina do improviso. Não quero dizer com isto que não faço preparação, muito pelo contrário! Já fiz tanta preparação e repetição que consigo ter um fio condutor automático e capacidade para ir lidando com os percalços que vão acontecendo. É isso mesmo que acontece na vida real. Em resumo: acho que o projetor, não tendo um quadro interativo, é uma ferramenta essencial. Com isto não estou a dizer que não uso o quadro e outros recursos. Consigo bons resultados projetando no quadro e escrever notas. Cria uma dinâmica muito interessante.

Este é um exemplo simples em como os equipamentos nem sempre estão disponíveis, acabando por reduzir a qualidade da formação. Penso que cada área deveria ter salas mais adaptadas, muito como acontece com alguns cursos que têm dezenas de milhares em equipamento, enquanto outros nada têm. Este tópico está intrinsecamente ligado com o anterior como é obvio. Grande parte das vezes não se trata apenas da falta de verbas, mas sim de má utilização.

Em forma de resumo: julgo pertinente a existência de salas adaptadas a cada curso, sempre que a área profissional o justifique. Há que colocar ao dispor do formador, as ferramentas que podem vir a potenciar o seu trabalho e a sua função primordial: formar.

Ponto de melhoria 3: Os formadores

Chegamos a um dos tópicos que muito havia a dizer. Tenho muitas crenças formadas que tento desmistificar, mas o poder de observação vai complicando a tarefa. Muitas dessas crenças são negativas, infelizmente.
Somos equipas que deveriam funcionar tal e qual uma caixa de velocidades de um veículo: sincronizada e bem oleada. Devido a muitos fatores isso raramente acontece.

Tornando o trabalho individual muito menos aprazível e, por vezes, obstáculo para se conseguir atingir objetivos. Um conceito novo que aprendi convosco é que não faz sentido existir a profissão de formador. Concordo plenamente! Antes de levar os outros a aprender algo temos nós mesmo de dominar o objeto da formação. Muitos formadores viram, e continuam a ver, na formação uma atividade aliciente como fonte de rendimento. Não estão preocupados na pedagogia ou andragogia. Muitos dos formadores lecionam áreas nas quais não têm formação académica, nem tão pouco prática em contexto profissional. Falo da minha área em específico, sendo a única que posso tecer comentários por experiência e observação. Isso deve fazer com que as suas sessões sejam torturantes para todos os envolvidos. Essa tortura traz consequências para toda a equipa. De referir que tenho formação predominantemente nível 5. Onde habitualmente surgem formandos com relativa experiência na área. Temos inclusive licenciados.

Tal como os professores a dinâmica da formação têm de evoluir. Os formadores devem investir mais na sua formação. Formação digital é preciso. Isso torna-se muito mais pertinentes nas áreas tecnológicas onde me insiro.
A missão das entidades devem ser clarificas e o rumo ao objetivo planeado deve ser mantido e corrigido a todo o momento. É necessária muita articulação entre todos os intervenientes. É fácil? Claro que não! É preciso coragem e vontade? Sim!
Há que limpar a cara de uma instituição que tem um papel preponderante na nossa sociedade bem como no tecido empresarial. Ainda mais pela fragilidade que envolve os principais utentes da mesma: os formandos.

Ponto de melhoria 4: Os formandos

São a matéria prima de todo este bolo. Esses formandos, que não são mais do que pessoas, devem ser escutados em primeira instância. São pessoas provenientes de realidades muito diferentes. Na grande maioria com níveis de conhecimento muito aquém da sua forma académica.

Um pouco semelhante ao ensino tradicional: há que melhorar o nível de exigência! Não é com um sistema permissivo e facilitador que os sistemas de ensino vão conduzir ao sucesso. É uma questão cultural e deve ser melhorada. Para obtenção do sucesso temos de envolver trabalho e alguma dor. Faz parte do processo de desenvolvimento pessoal. O cenário da formação é em tudo semelhante, mas muito mais permissivo. Só tem uma grande diferença: na formação estamos a certificar competências profissionais. Esse formando, com aproveitamento, irá para uma empresa exercer a sua profissão.

Os formandos têm também eles de evoluir e conseguir contribuir para o seu próprio sucesso! Tornando-se eles próprios parte da orgânica da formação. Têm de ser pró-ativos, exigentes com eles e com todo o sistema. Uma das soft skill’s mais procuradas nas áreas tecnológicas é a capacidade de comunicação. Isso vem realçar a importância do trabalho de equipa.