Ensino, porquê?

Eu não escolhi ser formador nem docente. Foi a vida que me proporcionou esta maravilhosa experiência de passar conhecimento.

Após uma vida lidando com os problemas informáticos aos 34 anos resolvi inscrever-me no acesso ao ensino superior pelo programa “maiores de 23”. Fui um pouco “picado” por um primo que, também com trinta e muitos, tinha terminado a sua formação no ensino superior. Isso, e a vontade de perceber o que de fato sabia.
Duas vagas deixam pouca esperança, mas a vontade foi preponderante no sucesso! Consegui uma das duas vagas e lá fui de “mochila às costas”. Foi um orgulho enorme pertencer aquela que, sem saber ainda, seria a minha casa por uns bons quase 10 anos: o Instituto Politécnico de Beja – Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTIG).

Trabalhando no meu comércio até uns minutos antes das 19:00h e entrando a essa mesma hora na universidade, assim foi a minha rotina durante três anos.
Tive vários aliados nesta guerra:
   • A experiência empírica dos quinze anos a lidar com a informática a nível profissional;
   • A maturidade que a idade nos proporciona;
   • O enorme orgulho e sentimento de pertença numa instituição de ensino superior;
   • Perseverança em atingir os objetivos traçados;
   • Capacidade de planeamento e alguns métodos de trabalho;
   • Entre outras;
Foram três anos que me abriram os horizontes. Tive os meus “tête-à-tête” com alguns docentes e colegas, mas aos poucos conquistei-os com os resultados. A minha pontualidade e respeito pelos prazos estipulados fizeram-me tomar algumas posições de força. Aos poucos os a forma como os docentes me olhavam era diferente. Deixei de ser o aluno número 11405 e ganhei a honra de ser “o Geraldo”.

Passado um ano eis que surge um “convite” para me inscrever no Mestrado de Engenharia de Segurança Informática. Lá coloquie a mochila às costas mais dois aos e terminei a parte curricular do mestrado sem qualquer dificuldade. Tenho a dissertação para sair até ao momento.
Após o mestrado tive a grande honra de ser convidado para lecionar em dois cTesp’s:
   • Redes e Sistemas informáticos;
   • Eletrónica e Computadores;
No de redes dei configuração de sistemas CISCO e protocolos de comunicações. No de eletrónica dei programação em microcontroladores.
No segundo ano tive uma honra e desafio ainda maior: dar algumas unidades no curso de Engenharia Informática, o meu curso. Lecionei uma cadeira de Bases de Dados e outra de Microprocessadores. Foi um desafio muito grande, mas que em muito me enriqueceu como profissional e mais ainda como ser humano.
Não podia deixar de referir que fiz bons amigos entre os meus docentes que depois viraram “colegas” mas que nunca os consegui como tal. Sempre foram e serão os “meus professores”. Muito lhes devo a eles. Não só pela confiança e por acreditarem nas minhas capacidades, mas também pela ajuda e partilha de conhecimento sempre que necessitei.
E assim cheguei e me mantenho nesta bonita e rica profissão: a formação!