Como formador

Sou exigente com os outros da mesma forma que o sou comigo mesmo. Tento cumprir as minhas tarefas profissionais com máximo brio e profissionalismo. Tento fazer o melhor, ser formador não seria exceção. Sou um apaixonado pelo que faço! Ser apaixonado tem vantagens, mas acaba por trazer-me alguns dissabores também.

Deposito muito de mim em cada tarefa que tento desempenhar, muitas das vezes coloco as espetativas demasiado altas. Acabo muitas vezes frustrado…mas outras tantas recebo o que de melhor a formação nos pode dar: fazer a diferença na vida de alguns. Não conseguimos chegar a todos, é verdade, e gerir a frustração é uma batalha diária para mim.

“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.”
Fernando Birri citado por Eduardo Galeano
in ‘Las palabras andantes?’

Tento não perder o rumo: caminho em direção da utopia! A formação perfeita. Boa organização de conteúdos, equipas super motivadas e profissionais, tempo em abundância, todos os recursos disponíveis…e o melhor, um grupo de esponjas ressequidas em nossa frente. Ávidas por conhecimento e com uma força de trabalho abismal. Um cenário um pouco antagónico ao que tenho quando entro numa sala de formação todos os dias.

Porque não caminhar no sentido que me parece, obviamente, o mais acertado? Fazer o que acreditamos faz todo o sentido! Não faço tudo como gostaria, mas continuo a tentar fazer o melhor que está ao meu alcance.

Tento que esse alcance seja cada vez maior e nisso esta formação deu uma boa ajuda. Tenho utilizado alguns dos recursos com que vocês nos aguçaram o apetite. Os resultados têm sido muito reconfortantes. “Isto assim é muito fixe professor!”, “Vamos fazer mais jogos destes?”. Não quero com isso dizer que aprendi tudo…mas ao mostraram-me um pouco do que não sabia isso faz com que queramos sair do lugar. Posso não saber bem para onde quero ir, mas tenho a certeza a certeza de onde não quero estar: não quero encarrar a formação apenas como uma fonte de rendimento; não quero relaxar e estagnar no fácil e instalado; não quero ser igual! Nunca fui, e cada vez quero menos, ser um mero passador de “powerpoint’s”.

Quero acreditar que dias melhores virão!

Muitas vezes o desalento instala-se. Tenho os sentidos debilitados dos dias pesados. Pesados porque os nossos formandos, na sua generalidade, vêm carregados de histórias pesadas, passados difíceis, vivências menos boas, muitos desalentos pessoais e profissionais…enfim!

Mas é nossa função mudar um pouco isso: “formar” “ação” nos formandos tal como aprendi convosco. Faze-los mexer! Causar incomodo! Leva-los a ter esperança! Leva-los a pensar! Mostrar-lhes um caminho e que é possível remar na sua direção…

Quero continuar a deixar algo em cada formando. Sempre deixamos algo em todos! Em alguns a semente que plantámos acaba por germinar e nasce uma bela flor. Flor que acaba por florir e o vento sopra seu pólen até nossos sentidos. “Você despertou a vontade de voltar a estudar!”. “Sei que não consegui completar o curso mas gostei de o conhecer”. “Você é um excelente profissional”. “VOCÊ ENSINA…”. “Acabei por conseguir o trabalho”.

São estes grãos de pólen que entram nas nossas narinas e provocam uma irritação, um incomodo…é uma alergia à estagnação. É algo que nos dá alento para continuar…e é isso que me alimenta!